NOTA DE REPÚDIO: Morte do amor romântico?!
Depois de 6h de sono bem dormido ao lado de quem passei a vida inteira esperando, abro a internet e encontro como manchete nos principais jornais: “O AMOR ROMÂNTICO DÁ OS ÚLTIMOS SUSPIROS”. Como assim?! Será que uma das únicas coisas que almejei na vida e se concretizou é mentira?! Já não bastou o meu diploma de jornalista ser desqualificado pelo senhor Gilmar Mendes?!
Antes de mais nada, situo meus caros leitores. A afirmação sobre o apocalipse do amor partiu de uma entrevista publicada num jornal de grande circulação cearense, “O Povo”, com a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, autora do “best-seller” “A Cama na Varanda”.
Ainda na apresentação da matéria, uma Regina descolada aconselha a “descomplicar o sexo” e solta a pérola “o principal a ser reformulado é a ideia equivocada de que quem não ama não sente desejo de fazer sexo com mais ninguém”.
Num primeiro momento, tudo pode parecer muito moderninho e até desça muito facilmente pela nossa goela. Porém, quando a psicanalista e escritora compara as relações amorosas como “moralismo e preconceito”. Claro, que vivemos uma história de grandes transformações e revoluções quanto a postura de diversos grupos em relação à sexualidade. Quanto emblemático foi ao pós-modernismo as mulheres queimando seus sutiãs na década de 1960. Mas caracterizar o amor, que por mais inevitável que seja, como algo que foi construído com as heranças de repressão é no mínimo desrespeitoso.
Regina cita o amor como uma “construção social”, que viveu momentos diferentes em diversas épocas. Vai além ao dizer praticamente que os seres humanos se acostumaram em viver o tradicionalismo neste tipo de relação, por medo e insegurança. Ela afirma que o maior problema do amor é a simbiose do par. Literalmente, a escritora coloca o prazer como única e definitiva finalidade das relações amorosas nos próximos anos.
A partir deste ponto, paro para repudiar o que considero um enorme desrespeito com aqueles que amam. Com tais declarações de alguém que passou anos na academia para se chegar a tais conclusões nos deixa “encucados” sobre a falta de uma das principais características do ser humano dentro do campo acadêmico: os sentimentos.
Foi o amor de Júlio César a si mesmo que fez o Império Romano expandir; foi o amor de Sócrates aos seus ideais que o fez beber veneno; foi o desejo insano de Hitler em busca de uma raça pura que o fez matar milhões de judeus; foi o amor sem limites de Jesus que o levou à cruz; foi o amor da nossa mãe, ou pelo menos o nosso amor próprio, que nos trouxe até o final deste parágrafo.
É estranho desconsiderar os sentimentos na hora de tirar conclusões sobre os rumos da humanidade. Eu, como insistente aspirante a pesquisador, não vejo consistência em meus trabalhos se não estiverem conectados no mínimo com os aparatos subjetivos que rodeiam as pessoas que pesquisarei. Não se pode chegar à conclusão tão drástica de que o amor no mundo vai acabar, assim, só por uma boa ejaculação!
Enfim, para concluir esse texto, chego à conclusão de que as palavras de Regina Navarro naquela entrevista foram no mínimo equivocadas, desatualizadas ou, por que não, inconsequentes.
O amor existe! Mesmo! E nunca vou poder acreditar no contrário. A prova está aqui do meu lado, com o sorriso mais lindo do mundo, me chamando pra jantar.
Curioso? Indignado? Leia a entrevista aqui.